Artigo: "Gestão de Compensações e Benefícios nas Empresas da Região de Leiria"




A remuneração foi e continuará a ser um fator preponderante quer para o trabalhador quer para as empresas na medida em que a capacidade das empresas em atrair, reter e desenvolver pessoas está intimamente relacionado com o sistema de remunerações que utilizam. Há alguns anos, falar na remuneração dos colaboradores de uma organização era falar do seu salário base (componente fixa) o que estava em perfeita consonância com um tipo de trabalho rotineiro que os trabalhadores executavam e com uma época de estabilidade económica que não retrata os dias de hoje. Atualmente e pela análise da realidade do trabalho é notório que estamos perante alterações profundas que conduzem à emergência de novos conceitos, práticas e estratégias em Gestão de Recursos Humanos nomeadamente, na Gestão das Remunerações, ou seja, nos seus sistemas remuneratórios. Compreender a composição da estrutura de remunerações utilizadas pelas empresas e perceber qual o papel que é atribuído a cada componente foi o grande objetivo desta investigação. O estudo incidiu nas empresas da Região de Leiria sendo as empresas de serviços as predominantes na amostra e a média do número de exercício de atividade foi de 16,2 anos. Na sua maioria são micro e pequenas empresas tendo seis ou menos trabalhadores. Com o desenvolvimento desta investigação que assumiu, desde logo, uma natureza exploratória, pretendeu-se encontrar dados que permitissem responder a diversas questões, nomeadamente como é composta a estrutura de remunerações utilizadas nas empresas, qual o papel que tem vindo a ser atribuído às componentes variáveis da remuneração e aos benefícios, qual a configuração que tende a assumir as componentes variáveis e os benefícios, se haverá ou não um comportamento das empresas influenciado pelo sector de atividade em que se inserem, pela sua dimensão ou pelo número de anos em que exercem atividade e, por último, se a inclusão de componentes variáveis e a atribuição de benefícios têm como objetivo principal aumentar a motivação dos colaboradores. Deste estudo conclui-se que a prática mais comum das nossas empresas é remunerar apenas usando a componente fixa e o subsídio de alimentação. A investigação também permitiu constatar que o nível remuneratório influencia a atribuição das componentes variáveis sendo que quanto mais baixo o vencimento base maior é a tendência para recorrer às componentes variáveis. O sector de atividade também condiciona a atribuição de remuneração variável, sendo a combinação de salário fixo com componentes variáveis mais vincada nos serviços. O facto da composição da estrutura remuneratória da maioria das nossas empresas ainda ser na sua maioria composta pelo salário base acrescido do subsídio de alimentação pode-se justificar pela sua dimensão. No que concerne à motivação e à gestão de compensações e benefícios, o peso do salário fixo continua a assumir bastante relevo tanto para os trabalhadores como para as empresas. Sendo esta a prática mais corrente, em que o colaborador sabe sempre quando vai receber no final de cada mês privilegia a aplicação das Teorias das Necessidades na medida que esta "estabilidade" garante ou não a satisfação das necessidades dos níveis mais baixos eventualmente até as necessidades de estima. O facto de haver salário fixo, que poderá desde logo satisfazer estas necessidades primárias, e a remuneração variável orientada por exemplo para o desempenho poderia desestabilizar a ideia de segurança e da capacidade de satisfazer essas mesmas necessidades básicas. O Sistema de Recompensas baseado nas Teorias das Expectativas e nas Teorias do Reforço exige às empresas uma outra dinâmica, onde a gestão de pessoas assume a relevância que deve ter, e não ser apenas uma gestão administrativa de pessoas mas assumir uma gestão estratégia por excelência com recursos às técnicas existentes. Sendo o Sistema de Recompensa constituído por remuneração variável e benefícios exige deste logo o recurso ao estudo de funções e à implementação de uma avaliação sistemática de desempenho. Ora vejamos, o recurso às componentes variáveis está condicionada pela dimensão da empresa onde a gestão das pessoas assume não só a sua componente administrativa mas também a sua componente técnica. Raramente, numa pequena empresa existe um Técnico/Gestor de Recursos Humanos ou que recorram a serviços externos que assumam estas funções. A não existência de uma avaliação de desempenho ou a existência de uma avaliação de desempenho inadequada, à luz da Teoria da Equidade, da Teoria da Expectativa, entre outras, pode ser catastrófica e ter precisamente efeitos contrários aos desejados, causando desmotivação e o sistema de recompensas não assegurar os objetivos básicos subjacentes à sua conceção, gestão e desenvolvimento, a sua capacidade de atrair, manter e desenvolver pessoas. Certo é, que número de empresas inquiridas e a sua localização geográfica, poderá constituir, desde logo, uma limitação à investigação e consciente que se o estudo tivesse abarcado um número maior de empresas e a sua localização abrangesse o território nacional ou se fosse realizado nas Região da Grande Lisboa ou no Grande Porto, onde estão concentradas as empresas de grande dimensão e, sendo estas as que recorrem mais a atribuição de remunerações variáveis, os resultados poderiam ser bem diferentes e algumas das tendências apresentadas serem até apostas. A questão principal, a tão falada tendência à crescente utilização de componentes variáveis na estrutura de remunerações com a consequente perda de peso da remuneração fixa, não foi confirmada tendo sido possível referir as causas da mesma.

Ana Virgolino, 
Mestre em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional

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